Gestão & Negócios

Pandemia aumenta o valor das empresas vendáveis

A pandemia causada pela COVID-19 gerou uma onda de fusões e aquisições sem precedentes, levando empresas que estavam preparadas para ser vendidas a atingir valores muito superiores aos que tinham antes da crise.

Os alvos naturais para compra são empresas que têm habilidades, tecnologias e produtos novos ou complementares que podem ajudar os adquirentes a fortalecer ou melhorar as suas posições de mercado.

O problema é que, historicamente, a maioria das fusões e aquisições fracassa, reduzindo o valor para os acionistas em vez de aumentá-lo. Uma pesquisa conduzida pela IESE Business School e pelo Prof. Nuno Fernandes, autor do livro “Finanças para executivos – um guia prático para gestores”, mostrou alguns padrões comuns que podem favorecer os resultados para o vendedor.

A estratégia vale mais do que as finanças

Muitas empresas buscam “aquisições estratégicas” para crescer o que, na prática, significa que estão dispostas a pagar mais do que a empresa vale do ponto de vista unicamente financeiro. 

Para entrar nesse jogo, o vendedor precisa entender os motivos que levam o comprador a querer fazer a aquisição. Ao entender como seu negócio pode agregar valor ao adquirente, o vendedor pode captar mais facilmente uma parte desse ganho.

É preciso reconhecer e lidar com a diferença de culturas. 

Comprar uma empresa significa incorporar parte dos seus recursos humanos e, ao contrário de máquinas ou instalações, pessoas são sensíveis ao ambiente social. Por isso, os projetos de fusão ou aquisição devem levar em conta as diferenças entre as culturas e criar processos para integrá-las.

Alguns compradores têm sucesso impondo a sua cultura nas adquiridas. Em discurso aos funcionários da Anheuser-Busch, logo depois da aquisição da cervejaria americana fabricante da Heineken, em 2008, Carlos Brito, CEO da InBev, disse “eu não preciso de cerveja grátis; posso comprar a minha”, sinalizando que a cultura da InBev, com foco na meritocracia e na guerra contra o desperdício, passaria a prevalecer também na empresa adquirida.

A maior parte dos adquirentes, contudo, entende que a cultura organizacional é parte do valor da empresa adquirida e opta por incorporar apenas alguns elementos da sua cultura na entidade combinada ou, em alguns casos, até a manter as empresas independentes.

Quando a Natura comprou a Avon em 2019, formando a quarta maior empresa de cosméticos do mundo com mais de 40 mil colaboradores e presença em cem países, enfrentou um desafio gigantesco, mas as forças de cada empresa estavam muito claras. Enquanto na Avon o protagonismo feminino permeia toda a operação, na Natura, a principal fortaleza é a organização de processos. A solução foi compartilhar as “melhores práticas” de cada uma, mantendo algumas características independentes.

Em suma: as diferenças culturais não são um problema se forem bem gerenciadas. O verdadeiro ofensor é não perceber essas diferenças e não contemplar formas de resolvê-las. Por isso, as empresas vendáveis se preocupam em criar mecanismos que permitam estabelecer e monitorar o comportamento dos funcionários nas diversas situações do dia a dia.

A avaliação da companhia depende de quem avalia.

O preço justo da compra (ou “valuation” no jargão técnico) varia de acordo com o comprador. Empresas podem ter mais ou menos valor dependendo de quem as compra. Por isso é importante avaliar não só a empresa que será adquirida, mas principalmente a entidade resultante da aquisição, para entender os limites de cada transação.

Os bancos de investimento costumam oferecer serviços de avaliação de empresas no seu portfólio e oferecem uma boa opção para o vendedor porque são pagos (e avaliados) no final da transação e como a sua classificação aumenta de acordo com o preço da compra, estão sempre do lado do vendedor, não do comprador. 

Velocidade é fundamental. Uma vez iniciado o processo, acelere!

Os concorrentes não ficarão parados e provavelmente vão usar a movimentação para tentar capturar uma parte dos clientes que, invariavelmente, ficará tensa ante um movimento de aquisição.

Por isso, velocidade é fundamental para garantir bons resultados. Uma vez iniciado o processo, é mandatório fazer a integração rapidamente e comunicar-se com o mercado de forma transparente, garantindo que as operações continuarão a ser executadas da forma mais estável possível.

Aquisições nunca são fáceis, mas isso não é motivo para evitá-las. 

A pandemia causada pela COVID-19 trouxe uma onda gigantesca de oportunidades de negócios e os empresários que estiverem adequadamente preparados serão capazes de criar mais valor para as suas empresas.

Esse é um dos temas que serão abordados no DESAFIO EMPRESA VENDÁVEL, uma imersão online que acontecerá nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, na qual vou mostrar, na prática, como aplicar essas estratégias para aumentar o valor dos negócios.

Para participar, basta inscrever-se no site: empresavendavel.com.br.

 

 

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